• sábado, 12 de dezembro de 2009

    Jovens, opção de todos

    11 Dez 2009 Por: Dom Walmor Oliveira de Azevedo Em fevereiro de 1979, a 3ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina, em Puebla, no México, profeticamente assumia, como Igreja Católica, a opção preferencial pelos jovens. Este desafio, posto trinta anos atrás, não contava com a complexidade e com as radicais mudanças destas três últimas décadas: uma virada antropológico-cultural, política e religiosa de incidências incalculáveis e de problemas gravíssimos, que estão desafiando o pensamento e a gerência de governos, de igrejas, de instituições e de toda a sociedade. Os jovens estão clamando por uma atenção mais adequada e uma coragem audaciosa e inteligente no enfrentamento deste desafio, que guarda no seu bojo o absurdo da dizimação das juventudes pela violência, pela dependência química e pela falta de sentido autêntico para viver a vida. Trinta anos atrás, talvez na complexidade da realidade daquela época, sobressaía, particularmente, a sensibilidade aos problemas sociais e aquela rebeldia e rejeição dos jovens - reveladas por gestos proféticos e de alcance políticocultural - a uma sociedade invadida por hipocrisias e contravalores. Naquele tempo, focalizava-se a falta de abertura e de diálogo dos adultos, impedindo que o dinamismo criador da juventude se tornasse força no desenvolvimento do corpo social. Os desdobramentos sócio-antropológicos e culturais têm levado a situação dos jovens a patamares preocupantes. Não se pode deixar de avaliar permanentemente a complexidade das juventudes como vítimas de uma dizimação precoce, que deixa um passivo terrível para o futuro da sociedade. Apesar das indiferenças, dificuldades e interesses que estreitam sua capacidade dinamizadora, os jovens continuam a ser uma enorme força renovadora. Mesmo reconhecendo a evolução no tratamento da realidade das juventudes por parte dos governos, não é injusto dizer que ela aconteceu tardiamente e com incidência pífia frente à gravidade desta questão. É significativo o que se tem feito e o que está projetado. Contudo, ainda é pouco diante das urgências e do que se faz necessário para mudar este quadro desolador, comprovado por estatísticas de mortes causadas por todos os tipos de violências. E também pela morte lenta imposta pela dependência química, que está corroendo a vida das juventudes desde a mais tenra idade. Os jovens devem ser uma opção de todos: da Igreja Católica, de outras instituições não governamentais e também das famílias. Isto deve significar a inclusão da realidade e da causa da juventude na pauta permanente de discussões, de preocupações e, sobretudo, de ações concretas. A 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada no ano de 2007, em Aparecida, renovou, em estreita união com a família, a opção preferencial pelos jovens, com o compromisso de dar um novo impulso à pastoral das juventudes nas comunidades, buscando uma atuação mais determinante para reverter as feições graves de sua realidade. A exclusão dos jovens, vítimas das sequelas da pobreza, é uma questão séria da socialização, cuja transmissão de valores já não acontece primariamente nas instituições tradicionais, mas em ambientes com forte carga de alienação. Não menos preocupante é a permeabilidade da juventude a novas formas de expressões culturais, produto da globalização, afetando sua identidade pessoal e cultural. As crises familiares têm acarretado profundas carências afetivas e sérios conflitos emocionais. É preciso reverter a educação de baixa qualidade, os enfoques antropológicos reducionistas, sua ausência das discussões e das políticas públicas, os abusos na comunicação virtual. Grave também é a dependência química, que no Documento de Aparecida, nº 422, é “como uma mancha de óleo que invade tudo. Não reconhece fronteiras, nem geográficas, nem humanas. Ataca igualmente a países ricos e pobres, a crianças, jovens, adultos e idosos, a homens e mulheres”. A sociedade não pode apenas informar-se sobre as estatísticas deste flagelo. É preciso trabalhar com afinco e inteligência na prevenção e também no acompanhamento, com redobrado e decisivo apoio das políticas governamentais para reprimir esta pandemia. É urgente falar mais do assunto, iluminar estas sombras, prevenir e pensar o quanto é necessário conduzir as novas gerações a experiências mais fortes e radicais do valor da vida e do amor. Jovens, esta é uma opção de todos. fonte: http://www.cnbb.org.br/ns/modules/articles/article.php?id=1142

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